quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Táxi

Todo mundo tem uma fase de extrema porra loquice. Não sei essa é uma premissa verdadeira. Mas, creio que é válida pra muitas pessoas. É um tipo de ápice de loucura em que a oscilação entre o fundo do poço e o entusiasmo absurdo é mais do que veloz. Alguns psicólogos poderiam chamar de bipolaridade. Seja o que for, é isso que estou a viver ultimamente. Quase que uma filosofia do foda-se, do deixar viver, deixar estar. Assim sigo aos instintos primitivos de consumo de drogas abusivo e perda de consciência. Às vezes, o abuso é seguido de uma grandíssima ressaca moral, sem contar a ressaca de bebida mesmo.

Nessa fase todo dia é dia. Toda balada acaba de um jeito diferente. Mas, geralmente acordo na minha cama. A não ser esse dia, ou melhor, essa noite. Sem muitas pretensões, já tava com a festa combinada. Era Show do Seu Jorge e a bebida era na faixa. Importante dizer que depois de aprovada a Lei Seca tomei uma grande decisão: parei de dirigir. Então, cheguei na balada de táxi, encontrei na fila alguns amigos. A garganta já pedia por bebida. Minha amiga me trouxe uma deliciosa caipirinha de morango. Aquilo era tudo que eu queria. Entre uma e outra, uma dançadinha, uma voltinha.

Bebi, dancei, paquerei, cantei, bebi. Muito álcool depois, a banda terminava, as pessoas se pegavam e meu mundo já girava. Procurei algum entretenimento, queria beber mais. Já havia fumado beck em uma roda de rapazes que não conhecia. Já tinha conversado com gente que eu mal conhecia. Bebi mais uma dose. Me perdi da minha amiga.

Bom, de qualquer forma, eu teria que voltar de táxi sozinha. Então, dei uma última volta pelo salão, já sem som nenhum a não ser das vozes loucas, para ver se encontrava minha comparsa. Talvez ela já tivesse ido embora. Resolvi ir também.

Chegando na esquina, muitas pessoas procuravam por um táxi. Eu já sabia que ia me custar a mesma coisa ou mais que a viagem de ida. Os taxistas que ali estavam no momento tinham sido chamados por alguém. Assim grupos de pessoas se amontoavam nesses carros brancos e partiam. Olhei para o lado e vi um moço. Ele expressava a mesma cara de muito passado que eu. A troca desses olhares bêbados nos fez rir.

Sabíamos que estávamos os dois em um estado deprimente e ainda havia o desafio de arrumar um táxi pra ir embora. Conversamos sobre esse dilema e boa notícia: não é que o moço morava perto da minha casa. Perfeito, a gente rachava o táxi e viva minha economia.

A viagem era um pouco longa e aproveitamos pra nos conhecer melhor. Ricardo era o seu nome. Era sim um cara interessante. Estava bêbado como uma vaca, mas ainda assim interessante. Falou que gostou da festa, e outras coisinhas de que não me lembro e, depois de eu insistir pra ele repetir o nome mais de 5 vezes, porque não decorava, ele me beijou e eu me envolvi. Fomos todo resto da viagem aos beijos alcoólicos, intercalados de respiradas e olhares engraçados.

Minha excitação crescia, tanto pelo meu estado, como pela aquela situação inesperada. Um calor alucinante subia pelas minhas pernas. E ele, nos lugares mais indiscretos, me acariciava. Somava-se a esse tesão do amasso o fato do taxista estar ali assistindo a tudo. Me sentia a verdadeira perdida, como eu imaginava aquelas vacas famosas sempre drogadas. Courtney Love, meu ídolo adolescente, e o ícone atual Amy Winehouse. Afinal, estava no auge da piração, beijando e me amassando com um estranho, dentro de um táxi, ou seja, com uma platéia.

O garoto morava (ou mora ainda) perto do parque Ibirapuera, em uma daquelas pequenas vilas de casas antigas. Assim que chegamos ao endereço, ele insistiu pra eu que ficasse lá. Sem muita consciência do que fazia, tomei a deliciosa decisão de ficar. Um pouco de curiosidade e a facilidade de os pais dele não estarem lá. Entramos, fomos até a cozinha gigantesca. Ele me pegou na geladeira uma cerveja. Aquela casa me fazia lembrar de sonhos. Mas não que seja uma casa dos sonhos. E sim um local que é como daqueles sonhos estranhos que temos em que estamos em um lugar desconhecido, mas as coisas são familiares. Dizem que esses sonhos são vestígios de outra vida, mas não creio nisso não.

Ao que interessa, Naquela sala gigante de casarão antigo, cheia de pratos dourados, móveis de madeira nobre trabalhada e outras coisas retro, começamos a nos pegar novamente. Ricardo sabia como me beijar do jeito que eu gosto. Mordiscava meus lábios, roçava com sua barba mal feita no meu pescoço. E me abraçava muito forte pela cintura, fazendo com que eu sentisse a vibração do seu pênis rijo. Fomos assim nos beijando e nos locomovendo pelas paredes, como num tango com muitos giros. Eu virava ele permanecia encostado na parede esperando eu cair com a bunda de frente pra ele.

O fogo só aumentava e aumentava mais. Ele me olhou por alguns segundos e veio como um animal tirar minha blusa, explodindo 2 botões. E em um movimento perfeito chupou meu pescoço descendo devagar, mas com brutalidade, até meus seios a mostra. Acariciou-os, lambeu e chupou. E enquanto eu sentia as carícias e ficava ainda mais quente, ele se ocupava de já arrancar a minha saia. Depois, como num pulo, me me abraçou e arremessou no sofá fofo da sala. Senti seu corpo pesar caloroso sobre o meu. Tirei sua calça enquanto o beijava com sede de saliva. E foi-se pra longe aquelas calças e cueca. Fui sentir o tamanho, apertando Ricardo desde as pernas. Quando cheguei ao seu membro, me supreendi. Era enorme. E estava tinindo. Então quis saborear um pouquinho do desconhecido. Chupei até ficar muito molhado. E ele veio pra cima de mim como um furacão.

O que começou como mamãe-papai foi evoluindo para posições indescritíveis. Minha perna sobre o ombro dele, fez com que ele me penetrasse muito fundo. Senti um prazer enorme e soltei gemidos. Ele estava gostando, e muito. O movimento que fazíamos parecia uma dança de odaliscas, usando quase todos os músculos do corpo. Senti arrepiozinhos até na panturrilha. Todos os movimentos em prol do prazer máximo. Saímos da posição e ele me pegou de quatro. Me penetrava bruscamente enquanto acariciava meu clitóris. Tive um orgasmo duradouro. Gritava.

O insaciável Ricardo me puxou pra cima dele, senti que até molhei sua barriga. Estávamos suados os dois, em êxtase. Cavalguei gostoso. E me recordo muito bem da cara dele de extremo prazer. Acelerava e desacelerava os movimentos. Ele brincava com meus seios. Subia e descia, esfregava pra frente e pra trás, fazendo também movimentos internos. Comecei a gozar mais uma vez. Dessa vez, Ricardo também. Foi um orgasmo duplicado, simultâneo e muito intenso. Cai mortinha sobre seus braços, sentindo o pênis amolecendo dentro de mim.

Manhã seguinte, acordei assustada:

- Onde estou?

Fui embora enquanto Ricardo ainda dormia relaxado no sofá.

Um comentário:

  1. Você escreve super bem, parabéns!
    Vá lá no Rostinhos Bonitos que tem concurso!

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