Foi assim, em uma dessas longas e inconclusivas sessões de psicanálise, que descobri minha tara. Meu analista interrompeu meu falatório, quando eu estava relaxado no divã vermelho, relatando acontecimentos da semana e expondo minhas mais obscuras fantasias.- Meu amigo, você tem uma tara que te perturba e causa os seus desvios de comportamento.
Nossa de que esse louco está falando. Será que tenho algo sério?
- Mas, calma! – Continuou – É uma tara muito comum e, digamos, que não atrapalha suas atividades e relações na sociedade.
- Dr. Agnaldo, me diga então que tara é essa?
- Você é um típico Vouyer. – Afirmou com precisão diagnóstica.
E eu fiquei alguns minutos refletindo. Tenho uma tara com um nome francês, que exótico. Acho que posso até conseguir algumas garotas. – OI, eu sou um vouyer, quer sair jantar funghi e champignon? Beber um vinho francês? Queijo camenbert?
Agnaldo, o analista mais estranho que já conheci, continuou a me falar sobre o problema, seus sintomas e as suas conseqüências.
- Você sente muito tesão em assistir às pessoas terem relações sexuais. Isso não te atrapalha nada, a não ser que seja um caso em que não se consegue uma ereção sem esse tipo de estímulo. O que acredito não ser ainda o seu caso. Mas, você deve ficar atento. Além disso, deve ser muito discreto e freqüentar lugares próprios se quiser satisfazer esse desejo, porque os problemas que poderá ter são pessoas te acusando de invasão de privacidade, pode ter problemas para conseguir um relacionamento mais sério, esse tipo de coisa. Alguns poderão pensar que você é um tipo de freak.
Fiquei aliviado, afinal, não é sempre que se pode ver uma transa alheia, a não ser nessas casas de swing por aí, e pensar em só ter uma ereção nesse caso seria um bom motivo para suicídio. Eu sabia que esse não era meu caso mesmo, mas o que me preocupou foi aquele “ainda”.
Agora, vou contar a você as partes da minha análise que, muito provavelmente, fizeram com que o doutor chegasse a essa conclusão de que eu sofro de Vouyerismo. Primeiro, contava que tem um casal jovem de vizinhos que, quase todas as noites, fazem amor barulhentamente. E os gemidos daquela mulher, que nem sequer conheço pessoalmente, me tiram do sério. Dessa forma, me habituei a me masturbar ao som da transa dos dois.
Narrei, também, ao psiquiatra, uma viagem que havia feito há um ano. Depois de cansativos 2 anos de trabalho, sem férias, tirei um mês inteiro de folga. Resolvi então passar os 30 dias na praia. Sempre bom para relaxar, estar em contato com a natureza e se aventurar em coisas nada cotidianas. Aluguei uma casa aconchegante a 30 metros da areia. Tinha tudo de que precisava, cama de casal, cozinha e banheiros espaçosos, varanda com rede e churrasqueira. Todos os dias, acordava às 9h, preparava um café reforçado e caipirinhas de sabores sortidos para levar para a praia. Então, armava meu guarda-sol e saía para uma caminhada até o outro canto da praia. Entrava no mar para me refrescar, e depois ficava só relaxando na sombra. Às vezes, pedia uma porção de lula à dorê no kiosque mais perto.
Fazia já uma semana que estava na boa vida, e foi, durante meu tradicional mergulho da manhã, que avistei um casal no meio do mar. Era evidente o que os dois estavam fazendo ali, naquele ponto distante, e o movimento da água não negava. Então, discretamente me aproximei e fiquei observando. Notei a face de prazer da mulher. O parceiro também estava pleno no momento. A transa durou uns 20 minutos, tempo suficiente para eu me masturbar e ejacular, ali mesmo no mar. Continuei olhando o casal e pude notar que estavam indo para uma casa a, aproximadamente, duas quadras da minha. Fiquei entusiasmado, pensando que poderia flagrá-los mais vezes.
E pensei certo. Naquele mesmo dia, a moçada toda do condomínio agitava um lual para a noite, que teria como decoração a presença da lua cheia, sobre o mar. Eram 21h30 e a praia começou a se encher de jovens queimados de sol, levando bebidas e violões. Acendemos, então, uma bela fogueira que competia com a luminosidade da lua. O clima de tudo aquilo era perfeito, o cheiro e o som do mar, a areia fofa e fresca, a claridade lunar e muita vodka com frutas. Sem contar ainda com as garotas vestindo cangas.
Passou meia hora e chegou o casal que eu havia visto transar no mar. O jovem era moreno, alto e estava já bronzeado, e a garota era uma loira de olhos verdes, levemente rosada do sol, tinha um sorriso carismático, e naquela noite vestia um provocante vestidinho tomara que caia vermelho. Quando sentou-se, com sutileza, não pude deixar de notar aquelas coxas duras da garota, o belo par de pernas já me deixara instigado. E o casal acomodou-se justo ao meu lado na roda.
Todos se apresentaram com uma brincadeira. Julia era a loira magnífica e acredito que o seu parceiro chamava-se Ricardo. Entre muitas músicas, assuntos fúteis e muita bebida, o casal apaixonado se beijava, flagrei o Ricardo com a mão sob a saia da Julia. Ela ria daquele jeitinho inocente, e suas bochechas ficavam cada vez mais vermelhas, pela bebida. Puxei assunto com a moça, que já bem altinha se aproximava muito para falar comigo. O namorado olhava feio, mas também estava animado e conversando com outras garotas. No fundo, eu sabia que não iria conseguir nada com ela, mas nem era isso que eu tinha em mente, só queria assistir-los mais uma vez.
Todos estavam já muito bêbados, todos os tipos de assuntos já tinham sido citados naquela roda. Inclusive, sexo. Acredito que não só eu saí estimulado do lual. Eram 4 horas da madrugada e a lua ainda brilhava no céu. Todos começaram a se retirar, Julia e Ricardo foram os últimos a se levantar, os dois ficaram se amassando por um tempo, envolta da fogueira. Ricardo a pegou-a no colo e girava sobre a areia. Eu me levantei e fui andando devagar, fingindo que voltaria para casa, e percebi que aqueles dois não voltariam tão cedo. Então me escondi atrás de um coqueiro que ficava em um canto muito escuro, e me mantive ali, observando.
Não havia mais ninguém pela praia, e os dois ali estavam a esquentar mais e mais o clima. Eu já estava excitado, e para ajudar, Ricardo despiu a moça. Notei que além das belas coxas, que era até então a única coisa exposta, a loirinha tinha uma barriguinha perfeita e seios pequenos e durinhos. Ricardo a tomava com vontade e carinho pela sua cintura fina. E os dois rolaram pela areia da praia, estavam bem na beira do mar, e enquanto faziam amor, as ondas os cobriam e voltavam felizes para o mar. Era uma cena muito intensa e, ao mesmo tempo, romântica. Ricardo a tomara completamente, seu corpo moreno e suado por cima do delicado corpo de Julia. O momento mais forte, para eu que assistia àquilo, foi quando a loira foi por cima do moço. Aquele belo corpo, iluminado pelo luar, com os cabelos ao vento, os lábios entreaberto e gemendo de tesão. Julia cavalgava com prazer, movimentos delirantes, ela estava enlouquecida, foi evidente o momento exato que ela gozou. Teve um orgasmo duradouro e alucinado. Depois, caiu cansada nos braços do namorado. Os dois ficaram mais um tempo ali na areia descansando. O sol começava a nascer, eu também havia gozado com minhas próprias mãos, mas tive que sumir rapidinho dali, para não ser notado. O casal provavelmente assistiu ao pôr-do-sol antes de voltar para casa.
O resto da viagem nem merece ser contado. Mas essas transas loucas, que nem minhas foram, valeram minha folga. E essa foi toda a história que contei para o analista, e ele me revelou que sou Vouyer. A partir de então me assumi, a carapuça me serviu muito bem. Hoje, freqüento quase de swing e, muitas vezes, sou até procurado por casais exibicionistas, o que fica perfeito eles tem tesão em fazer com alguém vendo e eu tenho tesão de ver. Além disso, convenci todas as minhas namoradas de freqüentarem esse lugares comigo, e sabe que ela até dizem que foi um relacionamento diferente, mas que essas minhas taras apimentaram a vida delas.
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